Capitulo4
Deixamos o Alan Moore de lado e nos concentramos em Vanessa. Sim, eu ainda não sei o nome do quadro, mas lembro da cor, da textura e às pinceladas que os meus olhos saboreavam na potranca.
Deixamos o Alan Moore de lado e nos concentramos em Vanessa. Sim, eu ainda não sei o nome do quadro, mas lembro da cor, da textura e às pinceladas que os meus olhos saboreavam na potranca.
Conheci Alan Moore através da Vanessa, uma portuguesa degustada por mim, em Montevidéu. Fui visitar o museu Garcia Torres e lá estava aquela baita mulher interessada no mesmo quadro, mas nem ela, e muito menos eu, sabíamos o que passaríamos com essa figura que é o Alan ¨ Thing¨ Moore em nossas vidas. Agora Alan Moore é pop, mas nem sempre foi assim. Ele já foi um carniceiro desconhecido das massas. Cortava as tripas dos gados sempre na madruga em um frigorífico na velha Northampton. O barbudo botava os fones na cabeça e Iggy Pop a todo volume no rádio, Idiot o seu disco mais curtido. Ligava a serra e lá seguia ele cortando as tripas. O chão era lavado com sangue e depois secado com jornais, foi assim que Moore descobriu o Breccia, um desenho de um dos quadrinhos do Viejo tinha tocado as mãos manchadas de trabalho do Moore, onde a magia contida nas páginas se impregnara nas veias do carniceiro, como o pó das lacraias brasileiras desperta viagens alucinógenas com demônios e deuses celebrando as carnificinas humanas trocadas por sexo.
Eu estou em casa enquanto ouço a porta bater. Sei que é o Walter e não vou abrir. Se eu mudar os meus planos vou ser arrastado para uma chalaça metafísica.